Sinto, logo escrevo – Sobre Amar Escrever

letters-2111533_1280Eu tenho tido cada vez mais vontade de escrever. Teve uma época na minha vida que era muito fácil escrever. Redação na escola era o meu melhor momento! Eu era muito criativa e fazia cada redação como se fosse a missão mais importante da minha vida! Essa época foi da infância até meus 15 anos, aproximadamente.

E então veio a época que não vinha nada. Bloqueio total! Essa época eu desconfio que não vinha nada porque eu ignorava o que eu sentia. Apenas vivia para o trabalho, com o objetivo de ter uma vida boa.

Para deixar bem claro, vida boa para mim se resumia em ter uma casa e dinheiro para poder viajar e comer bem. Para falar bem a verdade, a casa eu nem queria tanto assim, mas cresci com o seguinte modelo mental: casar e ter a casa própria. Parece que até ouço a voz da minha mãe falando deste assunto.

Já que casar nunca foi um sonho de infância (nota mental: falar sobre sonhos da minha infância e casamento em outro momento). Então, como casar ficou mais para o fim da lista, comprei meu primeiro imóvel. E como a maioria dos brasileiros, financiei o imóvel em muuuiiitos anos, e foi assim que mergulhei mais fundo ainda no trabalho e cada dia mais distante daquilo que me permite escrever – a liberdade de pensar em mim e em como me sinto, e então pegar estes sentimentos e escrever, simplesmente escrever, de forma simples, criativa e cheia de verdade. Escrever sem a desculpa de não ter tempo pois tenho que acordar cedo para trabalhar, dar conta das muitas reuniões, trabalhar até tarde, estudar para continuar atualizada com as práticas do mercado e até mesmo do medo do julgamento do pessoal da “firma”.

Parei no ponto acima e reli o texto. Fiquei com a sensação de que falei mais sobre mim do que sobre o assunto inicial – “sobre amar escrever”. Mas não vou mudar nada, afinal, não tenho compromisso com ninguém em falar sobre um assunto ou outro, tenho apenas comigo mesma, de escrever para me conhecer mais, para me entender mais, para libertar meus sentimentos, meus pensamentos de dentro da minha cabecinha, que ainda insiste tanto em seguir alguns modelos, padrões estabelecidos na infância e que hoje já não fazem mais sentido, pois apesar de eu ainda ser aquela menina, sou também tudo que vivi até aqui e isso por si só, ja me da bastante conteúdo a escrever.

E como nada é por acaso, to eu aqui no meu sofá (quem conhece sabe que é meu lugar preferido na minha casa), voltando ao assunto (um dia eu consigo me livrar dos parênteses), mas agora voltando mesmo, estou no sofa, na minha casa financiada, com as preocupações diárias sobre estar desempregada e ter esta casinha fofa para pagar, mas ouvindo uma música da “minha época” que tem uma frase que veio a calhar: “eu não vim ate aqui pra desistir agora…”.

E sobre a minha interpretação da frase, não é sobre pagar as contas não, e sim sobre não desistir de ouvir meus sentimentos e pensamentos. E nem de escrever!

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2 comentários

  1. Ótimo texto, também estamos mudando este pensamento que o brasileiro precisa ter casa própria, nossa mente abriu e acordamos deste pesadelo, graças a Deus!!! Boa semana pra você.. E continue escrevendo…rsrsrs

    1. Carina, obrigada por seu comentário! Muito bom poder receber este retorno de quem esta do outro lado. Boa semana e continue me escrevendo também! ❤️

Sou muito grata por seu comentário, é importante pra mim.

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