Mente Sã – Setembro Amarelo – Sim é melhor falar sobre suicídio!

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Sim, o melhor é falar sobre suicídio!

O número de mortes aumentou 34% no Brasil. Ainda assim, o assunto segue silenciado, escondido e pouco discutido. A solução é abrir a boca!

Até você terminar de ler este parágrafo, uma pessoa vai ter se suicidado no mundo. Todos os dias, 32 brasileiros tiram a própria vida. Quase 1 milhão de pessoas se matam por ano, uma a cada 40 segundos – são mais vítimas que todas as guerras, homicídios e conflitos civis somados. E, para cada morte por suicídio, existem outras 10 ou 20 pessoas que já tentaram fazer o mesmo.

O Brasil é um país com índices baixos (6 casos por 100 mil habitantes, contra 12 da média mundial), mas vive um momento delicado. Enquanto os índices têm caído na maioria dos países, as taxas brasileiras avançam. Entre 2002 e 2012, o número de casos subiu 34%. Entre adolescentes de 10 a 14 anos, o aumento chegou a 40%, de acordo com o último levantamento do Mapa da Violência.

Talvez você nunca tenha ouvido falar nesses dados desoladores. É porque o suicídio costuma vir acompanhado de um fator que contribui para o seu alastramento: o silêncio. Não é agradável falar sobre quem se matou ou tentou se matar. Ao mesmo tempo, discutir o assunto – e entender os fatores que levam a ele – são as únicas armas que temos contra o suicídio. Por isso, estamos aqui, falando sobre ele.

Atenção

Se você ou alguém que você conhece está tendo problemas, comece a ler por aqui.

Reconheça os sinais

  • Frases ou publicações nas redes sociais que falem de solidão, isolamento, culpa, apatia, autodepreciação, desejo de vingança ou hostilidade fora do comum. Coisas como:

“Não faço nada direito, sou um lixo”, “Não quero sair da cama nunca mais”, “Mais uma madrugada sem sono”, “Quero que todo mundo se dane”, “Vocês não vão precisar mais se preocupar comigo”

  • Impulsividade: aumentar o uso de álcool ou drogas, mudanças drásticas de peso, dirigir perigosamente;
  • Uso frequente de emojis negativos;
  • Perguntas sobre métodos letais, como facas, armas ou pílulas;
  • Enaltecer e glamorizar a morte;
  • Desfazer-se de objetos pessoais e dar adeus;

Saúde mental é saúde pública

Por tudo isso, dá para entender a relutância geral em falar sobre o assunto. O problema é que é impossível fugir dele. De acordo com um estudo da Unicamp, 17% das pessoas já pensaram seriamente em pôr fim à própria vida: 4,8% elaboraram algum tipo de plano para cometer suicídio e 2,8% tentaram executá-lo. Quando alguém se suicida, é comum que se procure um grande causador da tragédia: falência, perda de parente, um vídeo íntimo que cai na rede.

Mas esses fatos, sozinhos, não bastam para explicar a morte. “Não são os eventos dolorosos da vida que fazem suicidar. É o efeito incendiário sobre uma condição mental subjacente, frequentemente doente e fragilizada, que faz com que o fato tome a dimensão de tragédia inescapável”, diz a psicóloga e suicidóloga Vivian Zicker, membro da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (ABEPS) e uma das coordenadoras do Grupo de Apoio a Enlutados por Suicídio da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Imagine que uma bituca de cigarro acesa caia numa grama verde. Ela vai queimar lentamente até se apagar. Mas, se o cigarro cair em um mato seco, pode provocar um pequeno fogo, que talvez vire um incêndio descomunal. Então: as bitucas são os eventos dolorosos da vida. O mato seco é uma condição mental frágil, como isolamento,  depressão, dor crônica,  (aqui no blog na coluna de corpo e arte você pode ler sobre a relação entre dor e depressão, num texto escrito pela Fisioterapeuta Alessandra Cardoso. Já a grama verde é uma mente saudável e com fatores de proteção – estar empregado, ter criança em casa, ter um companheiro.

De 10% a 15% dos que sofrem de depressão tentam acabar com a vida!

De fato, entre todos os fatores de risco, o maior previsor de suicídio é a ocorrência de doenças mentais. Segundo a OMS, 90% das pessoas que se suicidam apresentavam algum desequilíbrio, como depressão, transtorno bipolar, dependência de substâncias e esquizofrenia – e 10% a 15% dos que sofrem de depressão tentam acabar com a vida.

Ainda assim, a OMS defende que 90% dos suicídios poderiam ser evitados. O desafio é cuidar das doenças mentais como cuidamos das outras doenças. Cerca de 60% das pessoas que se suicidam nunca se consultaram com um psicólogo ou psiquiatra. Imagine que estranho seria, por exemplo, se seis entre dez pessoas que quebram uma perna simplesmente não fossem a um ortopedista. Doença mental é apenas mais uma doença – e uma que pode causar o suicídio. Parece óbvio que o assunto deve ser visto como um problema de saúde pública.

“O primeiro passo para a prevenção é falar sobre o suicídio. Ele deveria ser tratado como a aids e o câncer de mama, cujas campanhas de prevenção foram fundamentais para diminuir a incidência das doenças”

Diz a psicóloga e coordenadora do Instituto Vita Alere, que faz prevenção ao suicídio, Karen Scavacini. Essa é também a visão da OMS. Em 2013, seus membros se comprometeram a desenvolver estratégias para reduzir a incidência de casos em 10% até 2020.

Mitos e Verdades sobre suicídio
Tainá Ceccato – Superinteressante

Ombro amigo – Você não está sozinho (a)!

  • Mostre que você se importa, que a pessoa não está sozinha. Ofereça ajuda sem julgar ou dar conselhos: Diga: “estou preocupado com você.  Quer conversar? O que posso fazer para te ajudar?”
  • Não compare sofrimentos: não exija que o seu amigo se sinta alegre por ter menos problemas que outras pessoas. Cada um lida com os sentimentos de forma particular.
  • Pergunte se seu amigo cogita se matar. Se a resposta for “sim”, não entre em pânico. Compartilhar pensamentos suicidas pode aliviar a sensação de isolamento.
  • O melhor caminho é sugerir auxílio profissional. Por exemplo: “tudo bem se não quiser se abrir comigo, quer ajuda para encontrar um psicólogo?”

Em caso de emergência

  • Ao ver uma postagem suspeita, notifique o Facebook e entre em contato com o amigo, sim já existe esse recurso no face.
  • Se alguém ameaçar tirar a própria vida, sempre leve a sério: ligue para o 190 ou acompanhe seu amigo pessoalmente até a emergência mais próxima.
  • Depois de uma ameaça de suicídio, entre em contato periodicamente com a pessoa.

Se você está com problemas:

Ligue para o CVV pelo número 188 (é 24 horas). 

DANIELLE MARKS

Danielle Marks é Psicóloga / Head Trainer, Especialista em Inteligência Emocional, Fundadora do IMS (Instituto Mente Sã)

Idealizadora do Método Vencendo Barreiras – Inteligência Emocional,

Autora da coluna Mente Sã aqui no Blog Marywellness com dicas de como ter uma Mente Sã para uma vida emocionalmente saudável.

Para acompanhar os próximos posts assine blog e acompanhe Danielle em suas redes sociais Instagram e Facebook

Fontes:

Sim, o melhor é falar sobre suicídio

Por Eduardo Szlarz, Karin Hueck e Pâmela Carbonari

Amarelo, a cor da vida!

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5 comentários

  1. Muito bom falar da depressão é o mal do século. Não devemos julgar, mas sim ajudar de alguma forma, uma atitude, palavra para que essa pessoa consiga amenizar essa tristeza que só ela conhece. Eu inclusive já tive depressão, algo nunca cogitado por mim até pelo meu temperamento ser otimista. Bju

Sou muito grata por seu comentário, é importante pra mim.

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