Sinto, logo escrevo – Quanto nos permitimos conhecer as pessoas?

quanto nos permitimos conhecer as pessoas fernanda matos

A minha primeira experiência com o que esta escrito na foto foi em um curso de autodesenvolvimento/conhecimento. Os coordenadores nos instruíram a iniciar, quando começamos a nos apresentar com nome, cargo, empresa que trabalhávamos, fomos interrompidos. A ideia era falarmos de sentimentos. O que realmente nos levava até ali? Como estávamos chegando? O que percebíamos daquele ambiente? Afinal, qual era a necessidade de fazermos o tradicional “cara crachá”? Lembro que ali caiu a minha primeira ficha: eu não sou um CNPJ ou um cartão de visita.

Quantas vezes conhecemos pessoas e a nossa primeira pergunta é: com que você trabalha? E seguimos com: Onde você mora? E por ai vai…mas dificilmente aprofundamos a conversa a ponto de podermos falar que realmente conhecemos aquela pessoa.

Seria engraçado, se não fosse trágico (pelo menos para mim é), quando percebemos que isso não acontece apenas com as pessoas que conhecemos pouco, aquelas que temos pouca convivência. Quantas pessoas realmente conhecemos assim tão profundamente? Quantas vezes nos permitimos abrir nossos corações e falar de nós mesmos? Quantas vezes estamos dispostos a deixar o outro abrir seu coração sem interromper e querer dar exemplos nossos ou de outros e assim não dar espaço para ele continuar se abrindo?

Penso que dá para avaliar o quanto nos permitimos realmente conhecer as pessoas através da nossa própria família. Você conhece a história de vida dos seus familiares? Dos seus antepassados? Lembro que uma vez ouvi minha vó paterna contando algo que aconteceu na vida dela e eu fiquei encantada! Fiquei pensando: como minha vó viveu algo tão incrível e eu não sabia? Naquele momento ela deixou de ser só a minha vozinha, já frágil, para ser também uma mulher forte, com uma história de vida que eu nunca imaginei que ela tivesse vivido. Ou seja, minha vó não era apenas a mãe do meu pai e tios, a senhorinha que fazia cuscuz doce. Ela era também uma jovem batalhadora, que enfrentou desafios em uma época difícil de se viver. Ela teve medo, sofreu, mas enfrentou e venceu! Perdeu também, perdeu muito ao longo da vida, quem não perde? Mas se refaz também. Minha vó se refez a ponto de eu poder estar aqui escrevendo este texto.

Hoje eu tenho um jantar na casa de um amigo muito querido, que eu posso dizer que conheço muito bem. O muito bem é o “profundamente” que usei no texto, mas não é porque eu já o conheço que não haja espaço para ouvir como ele tem se sentido, especialmente agora que casou, que montou sua casa do jeitinho que queria e que com certeza vai me deixar muito feliz de vê-lo e ouvi-lo. Eu também vou aproveitar para contar como tem sido meus dias, me permitir aprofundar um pouco mais em como tenho me sentindo e quem sabe do encontro saia uma inspiração para o próximo texto. Se não sair um texto, com certeza sairá uma foto linda e cheia de amor desse momento na casa do amigo.

Fernanda Matos é Santista e mora ha alguns anos em Joinville, Santa Catarina. É pós graduada em Dinâmica dos Grupos e Análise Transacional, ambas abordagens que estudam pessoas, grupos e relacionamentos. É autora da coluna “Sinto, logo escrevo” e todo domingo você poderá alimentar a alma através dos seus textos, que falam de autoconhecimento de uma maneira leve e que leva a profundas reflexões.

Para acompanhar os novos posts da autora assine o blog, siga Fernanda Matos nas redes sociais Instagram e Facebook

Anúncios

4 comentários

Sou muito grata por seu comentário, é importante pra mim.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.